Eu me aceitei para minha filha se aceitar

Sempre que me perguntam ou falo sobre maternidade, uma das frases que mais uso é: “tudo muda!”, e muda mesmo! Não estou falando apenas das mudanças externas, do corpo que renasce, e nem da mudança de rotina, horários, planos… A principal e maior mudança acontece de dentro pra fora. Claro que depois que um filho nasce, sua vida inteira vai mudar de direção, mas que fique registrado aqui, que essa direção talvez seja a mais certeira da sua vida!

Enfim, mudanças, elas acontecem o tempo inteiro depois que você se torna mãe, e como falei ali em cima, a maior de todas vai acontecer dentro de você. Coisas que antes eram importantes não terão mais significado e vice-versa, você vai parar de enxergar exemplo nos outros e começar a SER o exemplo.

O post de hoje é sobre isso, exemplos, representatividade, e aceitação! Vou falar um pouco sobre o dia em que eu resolvi me aceitar para que minha filha mais velha, Clara, também pudesse se aceitar!

Foi mais ou menos a 3 anos atrás que tudo começou, na época Clara tinha apenas 4 aninhos, quase 5. Quem conhece Clara sabe a menina sorridente e comunicativa que ela é, e também sabe que ela tem um mar de cachos que chamamos de cabelo. rs

E quem cresceu comigo sabe que durante 20 anos eu também fui cacheada, mas chegou uma fase da minha vida, em que não aguentava mais não saber o que fazer com aquele cabelo volumoso e cheio de cachos rebeldes, então alisei.

E dos 20 aos 30 anos eu alisava meu cabelo todas as semanas, olhem como eu lisa e Clara cheia de cachos:

Confesso que gostava muito do meu cabelo liso, o que não gostava era de como ele (o cabelo) ficava quebrado por conta da chapinha, de como eu lavava apenas 1 vez a cada 7 dias pra manter a escova e de como depois do 2º dia sem lavar ele ficava oleoso e eu tinha muita caspa por conta dessa oleosidade. Enfim, tinha sim os prós, mas hoje vejo como os contras era muito maiores.

Mas não foi por nenhum desses motivos que resolvi aceitar meu cabelo natural novamente, não foi por isso que decidi que passaria pela hoje tão famosa: transição capilar!

O real motivo de tudo foi Clara, que no auge dos seus 4 aninhos não cansava de pedir para que eu alisasse seu cabelo, sempre que podia falava que não gostava dos seus cachos, e num belo dia ela me perguntou porque eu tinha o cabelo liso, o pai também e só ela tinha o cabelo enrolado, respondi que eu também tinha o cabelo cacheado, mas que alisava. Óbvio que ela perguntou se eu não gostava dos meu cachos, e confesso, fiquei sem ter o que responder. E refleti:

Como eu poderia falar pra minha filha se aceitar se eu mostrava pra ela que isso não era preciso? Como um dia ela entenderia a importância da representatividade se a própria mãe não passava isso para ela? Exemplos minhas amigas, lembram que falei? Sim, pra muita gente pode parecer bobo, mas naquele dia eu aprendi uma lição na prática, nunca vamos conseguir convencer as pessoas apenas com palavras, mas os exemplos? Ah esses não apenas convencem, como incentivam todos ao redor.

E neste dia bati o martelo: eu precisava mostrar pra ela que cabelos cacheados são tão lindos como cabelos lisos. E aqui a forma que encontrei foi me aceitando e passando pela transição capilar! Tive que aprender praticamente tudo sobre cabelos cacheados novamente quando dei inicio a minha transição, o que foi maravilhoso, pois pude usar tudo com Clara também.

Veja meu processo de transição para vocês terem uma ideia de como foi:

TRANSIÇÃO CAPILAR - CABELO CACHEADO - CACHEADA - PROCESSO TRANSIÇÃO CAPILAR

Essas Débora”s todas sou eu, em momentos diferentes da minha vida, passando pela minha transição capilar!

Foram 2 anos passando por esse processo, e preciso dizer não foi fácil, muitas vezes pensei em desistir e alisar o cabelo novamente, mas com o apoio do meu marido e da Clara, que a cada vez que via um caichinho se formando corria apontar e falar: “olha mãe, tem um caichinho bem ali!” ou “mãe seu cabelo ta cada dia mais cacheado heim!“, eu seguia em frente.

E hoje cá estou: cacheada e completamente apaixonada por meus cachos. É interessante perceber como muitas vezes precisamos de um “empurrãozinho” pra realizar coisas que no final, serão melhores pra nós. Neste caso, tudo começou pra incentivar minha filha e pra mostrar pra ela que sim, ter cachos é lindo e legal também, mas preciso dizer que nessa história toda, mais uma vez sai ganhando, afinal além de poder aprender o que realmente é aceitação com todo o processo da transição, hoje não consigo mais me ver sem cachos.

CABELO CACHEADO, TRANSIÇÃO CAPILAR - CACHOS - MULHER CACHEADA - EU ME ACEITEI

Eu hoje, após 2 anos de transição capilar

E não poderia deixar de registrar aqui o meu muito obrigada pra minha Clara, que me incentivou e depois me apoiou a passar por tudo isso.

E se vocês estão se perguntando como anda a relação da Clara com seus caichinhos hoje em dia, preciso dizer que melhorou bastante, é raro ouvir ela falando que quer alisar, e ela também conseguiu compreender e visualizar de onde vinha sua herança de caichinhos. rs Hoje quando alguém fala sobre seus cachos ela logo responde: “e meu cabelo é cacheado igual ao da minha mãe!” Representatividade lembram? Representatividade!

Tudo começa por nós!

Beijos


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Author: Débora Nunes

idealizadora do amaecoruja.com, 31 anos, mãe da Clara, do Caio, e da Olívia! Entusiasta da maternidade real acredita que toda mãe deve se dedicar aos seus filhos sem deixar seus demais papéis (mulher, profissional, esposa, amiga, filha...) de lado.

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