Tanto tempo longe – Um texto sobre morar distante da família e amigos

Dia 25 de maio fizemos 915 dias longe da cidade em que nascemos, crescemos e criamos raízes. Já se passaram 2 anos e meio que arrumamos nossas malas, pegamos nossos filhos e viemos morar a quase 1000 quilômetros de tudo e todos que conhecíamos.

E o que mais costumamos ouviu é: “Quando vocês voltam?” , me pergunto sempre como posso responder a uma pergunta que nem eu mesma sei a resposta. A grande verdade meus queridos amigos é que não sabemos se um dia retornaremos ao lugar que crescemos e nos conhecemos.

Quando decidimos que deveríamos trilhar um novo caminho, tínhamos consciência de que não seria fácil, que a saudade bateria na porta, que um dia poderíamos acabar nos tornando apenas boas lembranças para vocês. Mas confesso que não fazia nenhuma ideia do julgamento que muitos de vocês fariam de nós. Acreditando que por estarmos longe, por colocarmos uma ou outra foto em nossas redes sociais vocês concluiriam que não precisamos mais de vocês e que partimos e os abandonamos.

A grande verdade é que foi o contrário muitos de vocês nos abandonaram, e tudo bem, eu compreendo e perdoo, porque sei que cada um tem seus monstros para enfrentar, tem suas próprias lutas para lutar, tem seus sonhos para conquistar.

Quando saímos de São Paulo não fazíamos nenhuma ideia de que pudesse ser tão doloroso, sim porque sentir saudades dói. Não é fácil ter que acompanhar o crescimento dos sobrinhos apenas por fotos, não é fácil quando sabemos que tem alguém doente ou internado e não podemos sequer fazer um visita, não é fácil perder nascimentos, aniversários, formaturas e casamentos de pessoas tão queridas, mas entendemos que por mais difícil que seja, a vida segue sem nós.

Mas do lado de cá a vida não é tão fácil quanto parece, perdemos nossos pais quando nossas últimas lembranças deles vivos tinha sido a meses atrás, passamos por momentos de muitas dificuldades e pouquíssimos de vocês sabem, nossos filhos ficam doentes e aqui somos só nós por nós. Não estamos ricos, nossa vida tem seus momentos de altos e baixos, eu sei que mesmo inconscientemente vocês nos culpam por tudo isso e nos julgam. E eu sei disso porque nós também já fomos assim.

Não estamos acostumados a nos colocarmos no lugar do outro não é mesmo? Mas peço encarecidamente que antes de nos julgar, se coloque em nosso lugar, e nos acolha em vez de nos culpar. Lembre-se que mudar de estado não é o mesmo que apenas mudar de rua ou de bairro, é uma mudança enorme, cheia de prós e contras também.

E entre os prós tenho que confessar que a tranquilidade de criar meus filhos sem tanta violência, de ter melhorado nossa qualidade de vida e nosso relacionamento, de saber que estamos aos poucos trilhando nosso próprio caminho e de que somos capazes, conforta o meu coração e me enche de alegria.

Termino esse texto – que mais é um desabafo – chegando a conclusão de que tudo é transitório, e que a vida é feita de escolhas. Nós escolhemos recomeçar, trilhar um novo destino para nossa família, não é fácil, mas é algo totalmente nosso.

É reconfortante saber que nossa liberdade só pertence a nós. Se você quer saber se um dia voltaremos, só podemos responder que sempre iremos para onde possamos estar juntos. Nosso lar é onde estamos juntos e felizes.

Beijos


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Author: Débora Nunes

idealizadora do amaecoruja.com, 31 anos, mãe da Clara, do Caio, e da Olívia! Entusiasta da maternidade real acredita que toda mãe deve se dedicar aos seus filhos sem deixar seus demais papéis (mulher, profissional, esposa, amiga, filha...) de lado.

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1 Comment

  1. E que Deus os acompanhe sempre já que não posso estar junto 🙏

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