Autismo – Por dentro do mundo Azul

AUTISMO - MUNDO AZUL - ESPECTRO AUTISTA

Entendendo os Transtornos do Espectro Autista

“Cada caso é um caso”, Sim! Essa frase que permeia nossos consultórios em praticamente todos os casos, faz ainda mais sentido quando falamos de Autismo, ou melhor, Os Transtornos do Espectro Autista (TEA).

Aproveitando a proximidade com o Dia Internacional de Conscientização do Autismo (dia 02 de Abril), preparamos um post falando um pouquinho sobre o TEA. Muitos pais ao receberem o diagnóstico recorrem a vários profissionais para ter a confirmação do mesmo, seja por precaução ou pela dúvida se o diagnostico está correto ou não.

Muitas pessoas possuem uma imagem estereotipada dos sujeitos com TEA, mas não necessariamente todos os pacientes apresentaram os mesmos sintomas. Costumamos dizer que podemos pensar como uma régua, que vai dos números maiores (onde encontramos os casos mais severos e com maior número de sintomas) até os números menores (onde encontramos os casos mais leves e com menor número de sintomas). Por ser um distúrbio com diferentes níveis de comprometimento, não falamos mais em autismo, e sim em “espectro autista”.

Embora os sintomas do Espectro Autista possam variar de caso para caso e o diagnóstico ser feito na maioria das vezes por uma equipe multidisciplinar, temos 3 sintomas para os quais podem estar atentos quando a criança apresentar comprometimento, são eles:

  1. Dificuldade na comunicação: Em alguns casos temos a ausência total de fala e em outros casos temos a ecolalia, que ocorre quando a criança apresenta falas repetitivas (repetindo desenhos que assistiu, músicas, programas, etc.)
  2. Interação social:  O isolamento social ocorre na maioria dos casos (e é um dos sintomas que mais chamam atenção principalmente dos professores), falta de interação com outras crianças, com adultos e inclusive com o meio ambiente. Alguns profissionais acreditam que por ter dificuldade em compreender as emoções e vontades dos outros, por não conseguir se colocar no lugar do outro, acabam se isolando.
  3. Comportamentos: Os pacientes com TEA podem apresentar comportamentos repetitivos e as mudanças na rotina são pouco ou não suportadas. Na falta e/ou dificuldade em se comunicar, a criança pode ter comportamentos agressivos para conseguir aquilo que não consegue comunicar verbalmente.

Outros sintomas que podem aparecer são a hipersensibilidade auditiva, que faz com que a criança tenha dificuldade em permanecer em locais barulhentos. Muitas crianças são seletivas, seja na hora do brincar ou na hora de comer, as crianças podem optar por alguns tipos de alimentos e se negar a comer outros tipos. No brincar podem preferir certo tipo de brincadeira e permanecer por longos períodos brincando da mesma maneira.

A hiposensibilidade tátil pode fazer com que a criança tenha percepções diferentes, seja de temperatura ou até mesmo de dor. Muitas as crianças ao se machucar podem aparentar não sentir dor ou em dias de frios não aceitar vestir o casaco por não estar sentindo frio.

Muitas pessoas associam os transtornos do espectro autista a deficiência intelectual, e sim ela pode estar presente em alguns casos, mas outro lado, alguns portadores de TEA possuem alto nível de funcionamento. Algumas crianças podem conseguir decorar falas de filmes na integra ou livros por completo, por exemplo, mesmo que tenham dificuldade em compreender o que está repetindo.

Existem ainda, os quadros chamados de Asperger (que é uma síndrome que pertence ao Espectro Autista), nesses casos a criança pode não apresentar dificuldade na fala e pode apresentar grande conhecimento sobre um determinado assunto em especifico e aqui a imaginação corre solta, desde dinossauros até astrologia.

O diagnóstico na maioria dos casos ocorre após os 3 anos, por ser o período onde os sintomas acabam ficando mais evidentes, mas vale lembrar que alguns sintomas já estão presentes muito antes. Por isso, é importante que assim que houver desconfiança sobre o desenvolvimento da criança, os pais possam procurar especialistas.

Quanto antes o diagnostico for feito melhor! Quanto antes as intervenções iniciarem, melhor será o prognóstico. Falando em tratamento, mais uma vez, irá variar de caso para caso, por isso a importância em procurar um profissional de confiança para que possa então lhe orientar sobre a equipe multidisciplinar que melhor se adequa ao caso.

E a escola? É importante respeitar o momento de cada criança, e cabe a cada família juntamente com a equipe que acompanha a criança tomar esta decisão. Uma informação que sempre procuramos lembrar é que NENHUMA instituição de ensino, seja ela privada ou pública, pode recusar a matricula da criança portadora de TEA.

Falando nisso, aproveitamos para deixar uma dica de leitura, o livro “Humor Azul” traz uma explicação simples sobre o que é o autismo. O Cartunista e autor do livro, Rodrigo Tramonte, sabe retratar muito bem sobre o assunto, afinal ele mesmo está no espectro autista! O livro é uma ótima maneira de entender melhor sobre o assunto, adquirir conhecimento e quebrar preconceitos! #ValeALeitura

Beijos


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Author: Paola Richter e Natana Console

Natana Consoli é psicóloga e psicoterapeuta de adultos, casais e família e Paola Richter é psicóloga e psicoterapeuta de crianças e adolescentes. Ambas trabalham fazendo avaliação psicológica e prestando avaliação em instituições de educação infantil.

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