O Nascimento da Olivia – Relato de Parto Normal Humanizado

Confesso que demorei mais tempo do que esperava pra conseguir escrever esse post, não sei se porque queria esperar as fortes emoções pós-parto passarem ou se estava só esperando encontrar uma forma de começar. Mas enfim, cá estou, e como tudo na vida, antes de relatar como foi o nascimento da Olivia, vamos começar pelo inicio de tudo.

O Positivo

“O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços.”
(Machado de Assis)

Engravidar da Olívia não estava nos meus planos, e confesso que fui pega num momento em que não sabia bem o que eu queria, mas tinha certeza que a única coisa que eu não queria, era ter outro filho, não naquele momento pelo menos. Estava mega empenhada em perder os quilos a mais das outras gestações, estava mantendo uma alimentação mais saudável e fazendo exercícios diariamente, talvez por isso não tenha sentido nada de diferente. Então eu falava pra mim: que não, aquele não era o momento pra recomeçar tudo novamente.

Então quando percebi o atraso menstrual, pedi pro marido comprar o teste, lembro claramente quando falei que era um teste só pra desencargo de consciência, eu realmente acreditava que não poderia estar grávida, mesmo tendo esquecido de tomar alguns comprimidos do anticoncepcional. Afinal pra engravidar do Caio foram quase 9 meses tentando, então não era possível que em um mês de descuido eu fosse engravidar.

E ali estava eu, sentada no banheiro depois de fazer xixi no palito, olhando para um rápido e vibrante positivo sem acreditar ainda. E mesmo tendo passado por isso duas outras vezes, fui confirmar na caixa se aquilo estava certo. Contei pro marido, que sorriu e olhou pra mim falando: “você não parece muito feliz né?“, não, confesso eu não fiquei feliz em ter um positivo nas minhas mãos pela terceira vez, mas não queria falar sobre isso. Era quase dia das mães, e esse foi o presente que Deus me enviou, mesmo que naquele momento eu não tenha percebido ou pedido.

A Gravidez

“Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.”
(Albert Einstein)

Assim que descobri a gravidez tive certeza que seria uma menina, os enjoos começaram, o mau humor deu as caras e nos três primeiros meses ainda não estava totalmente feliz em estar grávida de novo, mas confesso que a empolgação da Clara em ter outra irmã começava a me empolgar também.

Então as mexidas começaram, meu pequeno milagre crescia dentro de mim, e enfim, eu estava curtindo estar grávida novamente. Quando fomos fazer a ultra pra descobrir o sexo, estava tão ansiosa que quase falei antes do médico que era uma menina. rs  Clara ligou toda emocionada pra avó contando.

A única coisa que me preocupava era o parto, eu sabia que queria um parto natural humanizado, mas tínhamos acabado de nos mudar de cidade, e ainda não conhecia as maternidades daqui. Logo me falaram que para um parto com respeito o melhor lugar seria a maternidade do HU, e fiquei muitíssimo feliz em ouvir relatos de partos de outras mulheres de lá. Quando fomos conhecer a maternidade, me senti quase explodindo de alegria, mesmo sendo publica, era exatamente o que eu queria, era toda humanizada, com profissionais humanizados e desta vez, o marido ia poder entrar para me acompanhar e enfim, ver um dos filhos virem ao mundo.

Na última ultrasson confirmamos que estava tudo bem, Olívia já estava cefálica (cabeça pra baixo),  a médica que fez a ultra disse que ela tinha um circular do cordão em volta do pescoço. Não me assustei, pois sabia que circular do cordão não era indicação de cesárea, confirmei com meu obstetra que só me confirmou dizendo que era normal e que não era mesmo indicação pra cesárea. Optei por não falar pra mais ninguém, pois sabia que acabaria ouvindo: “Nossa que perigo, não pode ter parto normal então né? Melhor não arriscar e marcar a cesárea!“.

O Parto

“Você não é o mundo, mas é tudo que torna o mundo bom. Sem você, minha vida ainda existiria, mas só.”
(A Escolha – Kiera Cass)

A gravidez da Olívia foi a mais longa das três, Clara nasceu com 38 semanas e Caio 37, esperava que Olívia chegasse logo que eu completasse as 38 semanas, que seria antes do Natal, então pra ajudar fazia caminhada todos os dias pela manhã. Completei 38 semanas e nada de diferente acontecia, sentia algumas cólicas, os famosos pródromos, mas nada de engrenar o trabalho de parto. Me sentia cada vez mais cansada, Dezembro foi um mês muito quente aqui em Dourados, então eu não conseguia mais dormir direito, sentar ou levantar, minhas roupas não cabiam mais, só uma ou duas que eu ainda conseguia usar. Mas confesso, que acordar todos os dias pensando: “será que é hoje?” me deixava excitada e cada vez mais ansiosa.

No dia 27 de Dezembro completei 39 semanas, levantei logo cedo, coloquei meu tênis e lá fui eu caminhar. Caminhei 4 quilômetros, voltei pra casa cansada, mas feliz em ter cumprido minha meta, tomei banho na expectativa de que enfim, aquele fosse o dia, mas as horas foram passando e nada. Por volta das 16hs fui comer algo e depois decidi ir tomar um banho pra relaxar e refrescar, tomei um banho tranquilamente, aproveitei pra colocar a depilação em dia, lavar o cabelo, e ficar um tempo agachada em baixo da água pra ajudar Olívia encaixar.

Sai do banho, me troquei, sentei na bacia pra lixar e secar os pés e de repente pensei ter feito xixi na calça, levantei rapidamente e uma grande quantidade de liquido escorreu pelas minhas pernas, fiquei em extâse por perceber que a bolsa tinha rompido, que enfim conheceria minha pequena Olivia. Calmamente sai do banheiro, troquei novamente de calcinha e short, coloquei um absorvente. Minhas cunhadas estavam na sala, contei pra elas que achava que a bolsa tinha rompido, minha irmã chegou e de repente lá estavamos nós, todas empolgadas e falando animadas. Lembro que meu cunhado olhou pra mim e disse: “Você é a grávida mais calma que eu já vi“, isso porque ele não me viu horas depois, em trabalho de parto ativo. hahahaha

Marido estava trabalhando, então como estava sem contrações decidi esperar ele chegar pra irmos pra maternidade, nesse tempo nem sei quantas vezes tive que trocar de absorvente e roupa pela quantidade de liquido que estava saindo, isso queria dizer que Olívia ainda não estava encaixada. Por volta das 20:30hs liguei pro marido avisando que a bolsa tinha rompido, ele disse que já estava indo pra casa, as 21hs ele chegou e falei pra ele ir jantar antes de irmos.

Chegamos na maternidade por volta das 22hs, até fazer a ficha, examinarem e internarem já era quase 23hs, e agora o liquido tinha diminuído e as contrações estavam enfim começando, mas ainda estava só com 2 cm de dilatação, e eu sabia que poderia demorar muito ainda até Olívia nascer. Então lá fomos eu e o marido, tentar dormir um pouco, mas eu estava tão agitada que a cada contração nova que vinha eu acordava. Tentei cronometrar o intervalo entre uma e outra, mas elas ainda não estavam regulares. Por volta das 6hs, as contrações já estavam mais doloridas, decidi levantar, caminhar um pouco e ficar na bola de pilates, quando o obstetra de plantão passou visita, fez o toque e disse que eu estava com 6 cm, fiquei muito empolgada, apesar das contrações estarem cada vez mais doloridas, e eu já estar bem cansada após a noite em claro.

Fiquei na bola mais um tempo, por volta das 9hs  voltei pro leito pra examinarem os batimentos da Olívia, nesse momento senti uma contração fortíssima, a enfermeira fez outro toque e falou que Olivia estava muito alta ainda, mas que o colo do útero estava molinho, não tinha evoluído em mais nada a dilatação, meu animo foi pro espaço. Fui pro chuveiro pra ver se as contrações espaçavam, aliviava a dor e a dilatação aumentava, e esse foi com certeza o pior momento, senti uma contração tão forte que não conseguia nem pensar, me apoiei no Carlos (meu marido) e choraminguei falando que queria desistir, que eu não ia conseguir, estava com medo, e só conseguia pensar que eu não conseguiria, que queria que Olívia nascesse logo e que queria Clara e Caio pra me abraçar e confortar. Carlos foi incrível, me abraçou e com carinho, mais muito determinação da voz disse pra parar com isso, que eu conseguiria sim, agora faltava pouco (depois ele me confessou que pra ele, esse com certeza foi o pior momento por não saber se era o certo).

Voltamos pro leito e a enfermeira me deu uma medicação pra aliviar um pouco as dores, e assim eu consegui descansar um pouco. Deitei e as dores diminuíram, consegui cochilar um pouco entre uma contração e outra. As 10hs a obstetra (Drª Mariana) passou e fez outro toque pra ver se algo tinha mudado, nada, ainda estava com 6cm de dilatação, ela me explicou que como a bolsa tinha rompido as 17hs e meu trabalho de parto tinha estagnado seria melhor que me colocassem no soro pra ajudar a dilatar, eu topei. As 10:30hs a enfermeira colocou o soro, eu decidi ir pra bola de pilates apoiada ali na cama mesmo, a cada nova contração eu abaixava a cabeça e agarrava os lençois.

E então a vontade de fazer força veio, a Rafa (fisioterapeuta) perguntou se a força era natural, respondi que sim, e sabia que enfim Olívia estava chegando! A enfermeira pediu pra deitar e fez outro toque, estava com 9 cm, em menos de 20 minutos tinha dilatado 3 cm e Olívia estava prestes a chegar, fiquei aliviada e não conseguia acreditar, a hora tão esperada estava quase acontecendo. A partir dai foi tudo muito rápido, a dor era muito forte, as contrações vinham cada vez mais intensas, eu fazia força e nada de Olívia nascer, eu estava exausta, não conseguia pensar, só me lembro de pedir ajuda na hora que a contração vinha. A enfermeira disse que estava quase, que ela já conseguia ver a cabecinha da Olívia, eu olhei pro Carlos que confirmou (mais tarde ele disse que nesse momento ele ainda não via nada hahaha), mais uma vez a contração veio e pedi ajuda. Me falaram que agora faltava pouco e que todo mundo estava ajudando. Outra contração, a Rafa pediu pra fazer força de coco e me deu sua mão pra segurar, ela e o Carlos segurando minhas mãos, então fiz uma força enorme, senti uma queimação muito forte, era o “circulo de fogo”, a cabecinha da Olívia estava passando, a cabecinha passou, a enfermeira tirou a circular do cordão, e depois disso foi bem rápido, senti seu corpinho passar, o alívio do meu corpo depois, e ouvi seu choro forte e bravo. Olívia veio para meu colo imediatamente após nascer, e mais uma vez eu não acreditava que tinha conseguido, que tinha parido de novo. Me lembraram que eu precisava respirar, pois ainda não tinham cortado o cordão. Olívia ainda ficou mais 3 ou 4 minutos ligada ao cordão, depois o Carlos pode corta-lo.

Foi numa manhã de quarta-feira que Olívia chegou nesse mundo, uma manhã quente, de verão. As exatas 10:55hs nós enfim nos conhecemos. Olivia nasceu e mais uma vez eu renasci.  Naquele momento, ali deitada com ela no meu colo, não conseguia pensar em mais nada a não ser em como ela era linda, naquele exato momento o mundo parecia perfeito, e era exatamente ali que eu deveria estar.

O parto de Olívia foi cercado por profissionais que entendem a importância que é trazer um novo ser humano ao mundo, foi cercado de respeito, de carinho, de amor. Olivia nasceu com apgar 9/10, 50cm e 3.330gr de muita gostosura. hehe

Nem consigo descrever aqui o quanto a presença do Carlos também foi importante pra mim, ele não meu deu apenas apoio físico, mas psicológico também. Parir não é fácil, a gente fica com medo, tem vontade de desistir, de chorar, sente muita dor, e passar por tudo isso sozinha, da mais medo ainda. Então tenha alguém com você, uma amiga, prima, mãe, marido ou uma doula, não importa quem seja, que essa pessoa esteja lá, pronta pra te falar pra seguir em frente quando a vontade de desistir ou o medo apertar, que ela massageie sua lombar na hora das contrações, que ela possa te perguntar: “é isso que você quer?“, e se você falar não, ela defenda e ajude a impor suas decisões, que ela possa ser sua voz.

Deixo aqui algumas fotinhas e vídeo do parto da Olívia. O marido ficou encarregado de fotografar e filmar, então já sabem né? Ele só lembrou depois que tudo tinha passado. hahaha

Ahhh e não reparem na voz de acabada da pessoa nos vídeo, depois de quase 12 horas em trabalho de parto, não tinha como ser diferente. rs

Beijos

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Author: Débora Nunes

idealizadora do amaecoruja.com, 31 anos, mãe da Clara, do Caio, e da Olívia! Entusiasta da maternidade real acredita que toda mãe deve se dedicar aos seus filhos sem deixar seus demais papéis (mulher, profissional, esposa, amiga, filha...) de lado.

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5 Comments

  1. Deb, que emoção amiga! Acho que pari contigo lendo teu relato! Super emocionante e verdadeiro! Parabéns pela mulher e mãe guerreira que você é! Clara, Caio e Olivia são crianças abençoadas! Xeru

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  2. Lindo lindooo….
    Parabéns por essa conquista…parabéns pela Olivia.
    Se eu tiver outro hahaha loucura né mas não descartou essa possibilidade, eu quero um PD.
    Felicidades pra VC.

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  3. ai q legal q o carlos entrou neste ne

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  4. É lendo isso é tudo muito lindo, mas não é lindo assim com todas as mamães (infelizmente) eu sofri muito sem aquele cortezinho que os médicos faziam pra ajudar. E tive várias amigas que se rasgaram toda (se laceraram) a ponto de levar de oito a dez pontos e ficarem com a vida sexual e íntima prejudicada pela falta de bom censo dos médicos. Outras nem sequer foram acompanhadas por um obstetra e tiveram seus partos feitos pelo pessoal da enfermagem. Sinto muito mas essa é a realidade. Hu é sorte, se vc pega um plantão com pessoas dispostas a te ajudar vc ta feita, senão é tratada mal e ainda sai de lá toda lacerada. Nem te ajudar puxando o bebê qdo está saindo eles ajudam mais. Vc faz tudo sozinha. Estou de 36 semanas e meu medo só aumenta em cair na mão daquele povo denovo. Só Deus pra me ajudar. Já até falei pro meu esposo, se for pra ter que enfrentar tudo o q passei dessa gestação no sus outra vez não quero filho nunca mais. Lendo esse texto tudo é muito lindo, mas só Deus sabe o que algumas mulheres passam ali.

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  5. Que lindo, lendo esse relato até chorei de emoção, passei por tudo isso recentemente, hj minha princesa tem apenas 18 dias….é muito lindo esse milagre da vida

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