O seu NÃO também é um ato de amor!

LIMITE NA INFÂNCIA - LIMITES - CRIANÇAS E LIMITES

Saiba porque a falta de limites na infância pode ser tão prejudicial ao seu filho, e saiba como ensinar seu filho sobre limites

Vamos as cenas: Birra no shopping pois não ganhou o brinquedo que queria, sala bagunçada porque o pequeno se nega a guardar os brinquedos depois da brincadeira, reclamações na escola por não obedecer às regras, e por aí vai, essas são algumas das situações que estão ligadas a falta de limites na infância.

Sim, nem sempre é fácil não ceder as carinhas fofas que eles fazem quando pedem alguma coisa, ou fugir do “ele tem personalidade forte, fulano era assim também”, na busca por encontrar soluções muitas vezes não ficamos atentos a coisas simples que podem ser mudadas para que possamos ensinar as crianças que as coisas nem sempre serão conforme elas querem.

A falta de tempo para ficar com os filhos acaba muitas vezes fazendo com que os pais queiram “agradar” e evitar as crises de birra e choro quando as crianças são contrariadas, mas viemos mais uma vez ressaltar a importância dessa frustração, dizer não na infância é dizer sim para um desenvolvimento saudável. Atualmente os estudos vem apontando que seis em cada dez famílias estão tendo que lidar com a agressividade infantil, e isto está muito ligado a crianças que estão convivendo e aprendendo que “não há limites”.

A reação agressiva pode acontecer então quando a criança, que não está acostumada, se depara com regras de convivência, os “nãos” do dia a dia e as demais frustrações que venha a enfrentar. E nesse quesito, nossas atenções precisam voltar aos adultos que estão convivendo com as crianças, sim, os limites nessa idade ainda vem de fora, a criança precisa ser apresentada ao que é proibido e permitido.

Algo que sempre lembramos em nossos consultórios é:  as crianças não desenvolvem problemas de comportamento sozinhas! Por isso, bora pegar o papel e a caneta que aí vão algumas dicas de como lidar e ensinar as crianças sobre os limites.

Paciência e Persistência, sim essa duplinha precisará acompanhar os pais durante este processo. Entender que a criança aprende por repetição, e que falar e fazer apenas uma vez não adiantará.

Rotina! Essa é ótima maneira de ensinar a criança de que ela terá um “roteiro” a seguir e que existe tempo adequado para tudo. Fazer uma lista ou ainda um mural ilustrado com a rotina da criança para que ela possa visualizar e assim se orientar pode auxiliar a família a reduzir as crises de birra na hora de comer, tomar banho e dormir por exemplo.

Limite, o seu não também é um ato de amor! Seja ele, para interromper algo ou punir (no caso do castigo), deve ser dado no momento da ação. As crianças que são punidas depois de certo tempo já não conseguem associar a punição a ação realizada. Por isso, a fala “quando chegarmos em casa você estará de castigo”, muitas vezes não surge efeito.

Castigo? Quando falamos em castigo, cada família tem sua opinião, não há regra geral, o que sugerimos, especialmente para crianças menores que ainda não possuem a capacidade racional de entender as consequências é a retirada de algo: seja um passeio, assistir ao desenho favorito ou não poder brincar no pátio. Dessa maneira, a criança é introduzida a ideia de consequência e o mesmo se aplica para quando tudo estiver bem, elogiar e mostrar os ganhos que a criança tem quando se comporta, é uma ótima moeda de troca nessa idade. (Dica aos pais: optem por momentos prazerosos como passeios, brincadeiras em família, assistir a um filme juntos ao invés da compra de brinquedos como valorização do bom comportamento).

Dar espaço para a opinião da criança, e quando possível deixar que ela também tome decisões, faz com que a ideia de trocas e coletivo seja construída. Pequenas coisas do dia a dia como: “Você quer usar a blusa amarela ou azul hoje? ”, ” vamos comer pizza ou hambúrguer? ”, “você quer tomar banho agora ou depois do desenho? ” São coisas simples que não irão trazer grandes mudanças a rotina já estabelecida e fará com que a criança seja estimulada em sua autonomia e também se sinta valorizada.

Não ceder ao choro, sim, as vezes parece quase impossível não dar logo o que eles querem para que parem com o espetáculo, principalmente quando estamos em lugares públicos e cercados por diversos olhares atravessados. Mas quando cedemos, estamos ensinando as crianças que elas podem conseguir o que querem dessa maneira.

Pais em sintonia, respeitar a posição do marido ou da esposa é fundamental! A criança sempre irá tentar as duas opções de referência que tem: o pai e a mãe. É importante que o casal apresente a mesma posição em relação as decisões que envolvem a criança para que esta não fique perdida ou acabe usando essa situação como forma de conseguir o que quer.

Se sentir que as coisas estão difíceis de ser contornadas e que a criança está apresentando prejuízos em seu convívio não só em casa, mas também nos demais ambientes sociais, não deixe de procurar um profissional da psicologia. A orientação de pais está aqui para isso!

Lembre-se sempre: A criança de hoje será o adolescente de amanhã, e o que plantamos hoje certamente irá florescer logo ali.


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Author: Paola Richter e Natana Console

Natana Consoli é psicóloga e psicoterapeuta de adultos, casais e família e Paola Richter é psicóloga e psicoterapeuta de crianças e adolescentes. Ambas trabalham fazendo avaliação psicológica e prestando avaliação em instituições de educação infantil.

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