Parto Normal x Parto Cesárea – Principais diferenças e indicações

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Uma das coisas que deixam as grávidas super confusas e inseguras é a escolha do parto. Mas antes de decidir que parto ter você precisa saber quais suas principais diferenças e indicações. Confira neste post, feito pelo obstetra Bruno Jabob. (imagem daqui)

Em 2011 a OMS realizou um levantamento sobre o índice de parto cesárea no mundo e anunciou uma “epidemia da cesárea“. A Europa subiu seus números de partos por via alta de 15% para 22%, os Estados Unidos apresentou uma taxa de 32,8%. E nós, os brasileiros? Pasmem! 53,7%. Exatamente, os partos normais representam menos da metade de todos os nascimentos no Brasil.

As entidades governamentais tem tentado reduzir esses números, porém a tarefa não é fácil, acredita-se que no Brasil exista a “cultura da cesárea” e que ela já esteja disseminada. A Organização Mundial da Saúde preconiza que os partos cesárea correspondam de 10 a 15% dos nascimentos, ou seja, um número bem inferior do que tem sido mostrado. E porque a OMS se preocupa tanto em diminuir os números da cesariana?

Veja os benefícios do parto normal para as mamães e para os bebês.

Mamães
  • Sangramento: Enquanto no parto normal a paciente apresenta uma perda sanguínea de 500ml, na cesárea esse valor sobe para 1,5 litros em média.
  • Infecção: Cesárea é um procedimento cirúrgico, quando comparado com o parto normal os riscos de infecção aumentam em 10x.
  • Recuperação: Mamães que já tiveram os dois tipos de parto sabem a diferença que é no dia seguinte em relação a dor, disposição e até função do intestino.
  • Placenta: Estudos mostram que o aumento do número de cesáreas aumenta consequentemente o número de placenta prévia e acretismo placentário em gestações futuras.
  • Aleitamento: Ao entrar em trabalho de parto a mamãe produz hormônios que ajudam na produção e descida do leite
Bebês
  • Preparo para o nascimento: É comprovado que durante o trabalho de parto são produzidas substâncias no organismo do bebê que o preparam para o ambiente fora do útero.
  • Respiração: Ao sair pelo (apertado) canal vaginal, essa compressão do tórax ajuda o recém nascido a eliminar líquido amniótico das vias respiratórias. O mesmo não ocorre na cesariana.
  • Contato pele-a-pele: Após parto normal é possível colocar o recém-nascido junto ao corpo da mamãe logo nos primeiros segundos de vida. Isso aumenta a produção do hormônio do amor (ocitocina) tanto na mãe como no filho.
  • Aleitamento em sala: A OMS orienta os obstetras e neonatologistas a praticar o aleitamento materno em sala logo após o nascimento, isso é possível no parto normal.
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São inúmeras as vantagens do parto normal e tudo isso diminui o período de internação da paciente, as internações dos recém-nascidos em UTI e até complicações em gestações futuras.

Indicações da Cesárea

Se você é favor do parto vaginal ou não, o importante é saber que a cesárea possui indicações absolutas, ou seja, todas as condições nas quais o bebê não nasce pela via baixa.

  • Placenta prévia total: As vezes, a placenta está inserida tão baixa que ela pode obstruir a passagem do nenê para o canal de parto.
    placenta-previa - parto cesárea - bebê no útero
  • Apresentação córmica: o nenê consegue nascer tanto de cabeça para baixo quanto sentado, mas em algumas situações ele está transverso e não consegue sair pela via normal.

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  • Herpes genital: Apenas para os casos com lesão ativa.
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 Além das indicações absolutas existem as indicações relativas, ou seja, o nenê consegue nascer por baixo, mas a cesárea acaba por ser o procedimento com menos riscos.
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  • Iteratividade: Mulheres que já tiveram dois partos cesárea não é ideal que entrem em trabalho de parto, pois ha risco de rotura do útero com as contrações.
  • Descolamento de placenta e eclâmpsia: São condições que necessitam de uma interrupção imediata da gestação. Deve ser feita pela via mais rápida, que geralmente é a via alta.
  • Prolapso de cordão: Quando o cordão umbilical sai pelo colo uterino e a cabeça do nenê pode comprimir o cordão interrompendo o fluxo de sangue
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  • Gemelar: Quando o primeiro bebê está sentado e o segundo de cabeça pra baixo, ha riscos de prender a cabeça um no outro.
    parto-gemeos - PARTO GEMELAR - RISCOS PARTO GEMELAR
  • Desproporção céfalo-pélvica: Mulheres com bacias estreitas podem ficar horas em trabalho de parto e não apresentar nenhuma evolução.
  • Macrossomia fetal: Nenês maiores de 4kg podem ter dificuldade na hora de passar pelo canal vaginal.
  • Sofrimento fetal: Durante o trabalho de parto o nenê pode apresentar alguns sinais ,ao obstetra, que indicam que ele esteja sofrendo. Isso requer uma interrupção imediata da gestação.
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*Lembre-se: Se bem indicada, a cesárea pode salvar  vidas!
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Certo Dr., entendi que o parto normal é melhor para mim, para o meu bebê e evita algumas complicações, mas ele tem alguma desvantagem?
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É difícil falar em desvantagens quando o assunto é parto normal, mas elas existem sim! Vamos ver quais são?
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  • Incontinência urinária: Mulheres que passam por muitos procedimentos de parto normal, ou que dão a luz a nenês muito grandes, podem posteriormente apresentar perda de xixi, quando espirram e tossem, por exemplo, por conta de enfraquecimento da musculatura pélvica
  • Prolapsos: Os músculos da pelve são responsáveis por manter a estabilidades dos órgãos dessa região (como a bexiga e o útero), um enfraquecimento desses músculos pode significar uma “bexiga caída” no futuro.
  • Distócia de ombro: Uma das maiores preocupações dos obstetras. Se um nenê muito grande tenta passar por um canal de parto muito apertado os ombros podem ficar presos.
    DISTÓCIA DE OMBROS - RISCOS PARTO NORMAL - PARTO - PARTO NORMAL
  • Possíveis lesões do períneo: No momento do parto os músculos do períneo podem não suportar a distensão.
  • Exaustão materna: Ficar em trabalho de parto cansa. As vezes a paciente pode ficar mais de 24 horas com contrações e fazendo força. Isso pode desgastar a mãe s atrapalhar o período expulsivo (que é quando a mãe mais precisa empurrar o nenê para fora).
 Afinal, qual conclusão podemos chegar com tudo isso?

Sim! O parto normal é melhor para mãe e nenê.

Não! Ele não é isento de complicações.

Existem situações nas quais a cesária é a melhor opção.

– Uma boa assistência (tanto no pré-natal quanto durante o parto) é necessária.

Converse com seu médico, tire suas dúvidas e nunca (nunca!) seja submetida a um procedimento sem saber seus riscos e benefícios!
UM BOM PARTO A TODAS!

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Author: Dr. Bruno Jacob

Dr. Bruno Jacob (CRM 167047) formado em medicina na Universidade São Camilo, foi presidente da Liga da Saúde da Mulher. Residência em Ginecologia e Obstetrícia, trabalha em grandes maternidades na cidade de São Paulo.Siga Dr. Bruno Jacob nas redes sociais. www.facebook.com/drbrunojacob www.instagram.com/drbrunojacob

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2 Comments

  1. Adorei o Post, super esclarecedor .. aqui tive cesárea, mas não tinha descartado a opção de normal caso fosse possível

    Bjs Mi Gobbato

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  2. olá, eu gostaria de aproveitar o espaço para contar sobre meu caso.Eu tive meu filho em junho deste ano, e queria muito que fosse parto natural. as contraçoes começaram as 3 da manha, eu fiz o toque as 8 e tinha 3cm. as 14hs eu ainda estava com 3 cm, mas as contraçoes aumentaram intensamente e a bolsa nao rompia, e isso se manteve da mesma maneira até as 19hs. as contraçoes estavam bem fortes, ai chegou o medico e fez muitos exames de toque, com tanta agressividade que as contraçoes ja nao tinham 2 minutos de intervalo e duravam quase um minuto. ele resolveu furar minha bolsa, mas saiu apenas sangue, muito sangue mesmo. ele disse “nao vai dar pra estourar, e me deixou no sofrimento mais angustiante da minha vida ele queriam me manter esperando ate os 10 cm e ainda disse que eu aguentaria sossegada mais umas 5 horas. outra obstetra me examinou e me mandou pra mesa de cirurgia. meu bebe estava sem oxigenio e eu nao tinha forças nem para falar, eu só escutei eles conversando : “nossa, nao dava pra esperar mais um minuto pra tirar o bebe.” eu, como mulher que sofreu as dores do parto normal e as dificuldades da cesariana digo que, ninguem é obrigado a aceitar sofrimento, nem abusos por causa da cultura do parto normal . é preciso incentivar a humanização do parto em todos os aspectos.

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