Um aperto chamado Saudade: como lidar com o luto infantil

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Como falar sobre a morte com as crianças? Contar ou não que ela nunca mais irá ver aquela pessoa querida? As psicólogas Paola e Natana estão falando sobre isso no post de hoje.

Luto é um assunto delicado, é um momento que, de um modo geral, ninguém sabe muito bem como lidar e principalmente, como falar sobre isso com as crianças, quando necessário. São vários os tipos de lutos que o ser humano enfrenta no decorrer da vida, mas aqui vamos nos referir a perda de alguém querido. A morte ainda é um tabu em nossa sociedade, não estamos acostumados a falar sobre ela e evitamos até de pensar sobre!

Quem nunca substituiu aquele peixinho sem a criança ver e fingiu que nada aconteceu? Ou então comprou um cãozinho muito parecido com o que morreu, para passar despercebido e seu filho não sofrer?

Pois é, são situações comuns que muitos pais fazem visando evitar que seus filhos sofram, já que são pequenos e não entendem ainda o ciclo da vida. Mas será mesmo que eles não entendem?

Como falar com a criança sobre a morte?

O entendimento das crianças sobre a morte depende de muitos fatores, entre eles, a faixa etária, a forma como os adultos lidam com ela e o significado que lhe é atribuído. Por isso, dizer para a criança que a pessoa falecida foi viajar ou descansar pode deixá-la confusa, pois quem viaja ou descansa, por mais que demore, uma hora volta e acorda!

Quanto menor a criança, mais lúdica deve ser a explicação, mas deve existir uma explicação, independente da idade. Por mais que tentamos esconder das crianças, elas percebem que o clima na família está diferente e algo aconteceu. O último passo para a elaboração do luto é a aceitação, e só podemos aceitar a morte, quando temos clareza de que ela é irreversível. Porém, antes da aceitação passamos pela negação, pela raiva, pela negociação e pela depressão. São emoções normais que fazem parte de um processo de luto e que quanto mais externalizadas, mais rápido tende a se o processo de luto.

Crianças não entendem ainda esse processo, por isso mesmo que se deve explicar que não iremos mais ver aquela pessoa, é normal que ela pergunte por ela por um tempo, especialmente crianças menores de 5 anos, pois nessa idade a morte ainda é vista como algo reversível. A resposta deve ser sempre a mesma, frisando que a pessoa não vai retornar, para que a criança não crie falsas expectativas. Dependendo do vínculo que existia, ela vai sentir-se triste, sentir saudade e vontade de vê-la novamente. A partir dos 5 anos a morte já começa a ser entendida como algo irreversível, mas ainda é vista como algo distante.

O carinho, a conversa e a compreensão dos adultos é fundamental nessa hora para que a criança aprenda a lidar e conviver com essas emoções. Importante considerar que essas emoções podem ser expressas de formas diversas, como comportamento agressivo ou apático demais, pesadelos, medos ou agressão aos familiares, entre outros. Se isso acontecer e permanecer por muito tempo, indicamos procurar o auxilio de um psicólogo.

Uma ideia lúdica que muitos aderem é dizer para as crianças que a pessoa que faleceu virou uma estrelinha e foi morar no céu. Se for uma pessoa muito próxima da criança e principalmente nos casos em que a morte foi repentina, é importante dizer que ela ficou doente e precisou ir morar no céu, pois a criança pode se sentir abandonada.
Outra dúvida que costuma surgir muito é a questão do ritual de enterro. Se já é difícil explicar para a criança que ela não vai mais ver aquela pessoa que ela gostava, imagina explicar para a criança o que é aquele ritual todo? Não tem necessidade de expor a criança a esse momento, tendo em vista que ela não entende o significado ainda. Velórios, enterros ou cremação são momentos tristes, em que os familiares expõem seus sentimentos com bastante intensidade, o que pode causar mais sofrimento na criança. Caso a criança deseje participar desse momento, explique para ela o que vai acontecer lá e o significado daquele momento e leve-a. A criança deve ficar a vontade para expor seus sentimentos e suas vontades nesse momento.

Então, nossa dica para esse momento super delicado é conversar com os pequenos, explicar de forma simples e honesta que a pessoa não voltará, compreender que, dependendo do vínculo emocional que elas tinham, a criança vai externalizar o sentimento de saudade nas suas atitudes e colocar-se a disposição dela para que ela possa tirar todas as suas dúvidas. É um processo que deve ser encarado com muita atenção e carinho!

Beijos

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Author: Paola Richter e Natana Console

Natana Consoli é psicóloga e psicoterapeuta de adultos, casais e família e Paola Richter é psicóloga e psicoterapeuta de crianças e adolescentes. Ambas trabalham fazendo avaliação psicológica e prestando avaliação em instituições de educação infantil.

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