O que você deve saber sobre o uso do andador infantil

ANDADOR - CRIANÇA - USAR OU NÃO ANDADOR

Usar ou não usar o andador infantil com seu filho? (imagem daqui)

Hoje vamos falar ainda sobre a questão do andar da criança, mas agora falando de um tema muito polêmico entre as mães brasileiras: o uso do andador infantil.

Em alguns países do mundo o andador já é proibido por lei, nem sendo comercializado. Aqui no Brasil não há lei, ficando a critério dos pais. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta aos pais a não utilizar o andador já que o mesmo propicia acidentes e o atraso do desenvolvimento motor.

Muitos lugares não vendem mais o andador em nosso país, mas quando uma mãe está determinada, ela consegue encontrar na internet ou com uma amiga que já usou e que a empreste. Sabe-se que ainda hoje o andador é utilizado por 60 a 90% das crianças entre 6 e 15 meses.

Mas afinal, usar ou não o andador infantil?

A verdade é que o andador fornece mais independência ao bebê. Sua mãe deixa-o no andador enquanto ela consegue desenvolver diversos afazeres em sua casa. Porém essa independência momentânea não é positiva para uma criança que ainda não tem maturidade física e nem emocional para lidar com essa liberdade, consequentemente temos os acidentes que tanto ouvimos falar: crianças que se queimam na beira do fogão, que tomam choque nas tomadas, que caem na piscina, que caem da escada etc.

Lembrando também que o bebê precisa de atenção, cuidado, carinho e aconchego dos pais – estando sozinha no andador, sem a devida atenção dos mesmos a criança sente-se insegura e abandonada – ,mas aí as mães podem falar: ah, eu olho meu bebê, e estou junto dele o tempo todo. Sim, eu sei que vocês estão sempre por perto, mas hoje já há alguns estudos britânicos que mostram que os acidentes acontecem quando os pais estão por perto, olhando e vigiando, ou seja, a velocidade que uma criança ganha num andador é superior àquela que seus pais têm ao tentar segurá-los.

Além da velocidade que uma criança adquire num andador existe o fato de que sua cabeça é desproporcional ao restante do corpo favorecendo que seu corpo penda para frente levando à queda da criança.

Estudos mostram que o andador na verdade trás atraso ao desenvolvimento neuropsicomotor da criança, pois ela demora mais para ficar em pé e caminhar sem apoio, o andador apenas proporciona a postura ortostática mas sem a função da locomoção adequada. Isso em decorrência do fato de que algumas fases tão importantes são puladas, como o rolar, sentar e engatinhar.

Ao engatinhar a criança desenvolve força nos abdominais e aprende a coordenar e transferir o peso corporal entre os membros de modo a conseguir se locomover. Ao sentar sem apoio, manipulando um brinquedo, desenvolve o equilíbrio de tronco e aperfeiçoa a bimanualidade. Lógico que já falamos no outro artigo que há crianças que não passarão por essas fases, mas vale lembrar que isso seria o desenvolvimento normal dessa determinada criança, e não algo “forçado” ao ter sido colocada no andador.

Aquisições do desenvolvimento infantil emergem na medida em que a criança se envolve ativamente com os ambientes físico e social de seu cotidiano. O processo de desenvolvimento caracteriza-se por mudança permanente na forma como estas crianças percebem e lidam com o ambiente, por isso nada substitui os pais sentados com o filho, brincando e o ensinando a explorar o mundo e assim oferecendo estímulos que efetivamente o ajudem a se desenvolver adequadamente.

Camila Mansur Luz

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Author: Texto Colaborativo

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