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Relato de um parto normal

RELATO DE UM PARTO - PARTO NORMAL - RELATO DE PARTO - RELATO DE PARTO NORMAL

Relato de um parto normal

Quando acontece algo conosco, no primeiro momento não conseguimos enxergar bem como foi, quem esta de fora consegue perceber melhor os detalhes mais facilmente que nós, que estamos vivendo o momento. E depois de um tempo, quando a emoção do momento já passou, e você consegue analisar os fatos friamente, ai sim, você consegue perceber tudo o que aconteceu, inclusive os pequenos detalhes que não conseguiu perceber no primeiro momento.

Então hoje vim parir um outro relato do meu parto normal, o relato de parto de uma mãe, que teve sua cria a 9 meses atrás e que hoje consegue perceber detalhes não vistos naquele momento de grande emoção.
Nove meses já se passaram desde que o Caio veio ao mundo, nove meses de reflexão sobre meu parto, minha atitude e as atitudes de todos ao meu redor, e o que posso falar sobre esse momento da minha vida que foi e é tão importante para mim? Foi completamente maravilhoso, como deveria ter sido e ponto.

Outro dia li uma postagem da Beatriz, do blog Mãe da cabeça aos pés, onde ela falava sobre o custo do parto humanizado, e foi ai que me lembrei de todo o sonho que tive no começo da minha gestação, de ter um parto sem intervenções médicas, onde pudesse ser ouvida e parir como nos filmes e histórias lindas de parto em casa que leio por ai.
Mas infelizmente nem todo mundo tem condições de pagar uma doula ou uma equipe médica, claro que tem sempre a opção de você ir para um hospital que faça partos humanizados, ou procurar por doulas, enfermeiras e parteiras voluntárias, mas e muito difícil encontrar. Então você vai pesquisar valores, e se depara com cobranças tão altas que fica se perguntando o que é melhor, ir direto para uma maternidade pública, onde você não conhece o médico, nem as enfermeiras e torcer para que seu parto seja fácil e sem complicações ou ir a uma particular, onde você corre o risco de ser encaminhada a uma cesariana desnecessária?
O que deveria ser natural, acaba por se tornar algo capitalista, onde o dinheiro é que faz a diferença no final das contas. Mas enfim, retornando ao meu parto, desta vez conhecia todos os meus direitos, eu sabia que por Lei podia exigir um acompanhante, sei que podia dizer não a episio, sei que podia ter me negado a indução do parto. É meu parto teve sim muitas intervenções médicas, mas hoje não me envergonho em falar sobre elas, porque em nenhum momento me senti humilhada ou maltratada.
Quando muitas amigas me falavam sobre o exame de toque, eu ficava apavorada, afinal na gravidez da Clara nunca precisei fazer, então ao chegar na maternidade para me internar a primeira coisa que a obstetra fez foi me explicar sobre a bolsa que tinha rompido e o toque, pediu pra deitar, fez o toque e me disse que estava só com um dedo de dilatação, e que o Caio nasceria somente pela madrugada, me encaminhando para a internação.
Quando cheguei ao quarto, que dividi com outro colega, fiquei sim com um pouco de medo, mas quem não tem medo do desconhecido não é? Por mais que já soubesse tudo que estava acontecendo comigo, pois já havia me informado a respeito, tive medo sim, mil razões para ter medo te passam pela cabeça naquele momento, então me deitei no leito indicado e comecei a conversar com minha colega, que já estava internada fazia algum tempo e já havia tido um outro parto normal.
Quando o obstetra, Dr.º Eduardo passou, me fez as perguntas de praxe, qual horário minha bolsa tinha rompido, de quantas semanas estava, se tinha trazido os resultados dos últimos exames e claro, se eu havia tido outros filhos antes e qual o parto. Quando falei que a Clara havia nascido de cesária pois estava sentada, ele me olhou, fez o exame de toque e me falou para ficar tranquila pois estava tudo se encaminhando para um parto normal.
Com o decorrer de algumas horas, ele passou novamente, fez novo toque e disse que me colocaria no soro, na hora eu sabia que podia me negar, que podia pedir para que ele deixasse que tudo acontecesse naturalmente, mas não falei nada, talvez por querer que o Caio nascesse logo, ou por ter me preparado psicologicamente para isso. Quando as contrações de expulsão realmente começaram, foi tudo tão natural que nem eu me reconheci, não sabia se poderia começar a fazer força naquele momento, mas só sentia o desejo de atender ao pedido do meu corpo, que era o de fazer força, para parir meu pequeno Caio.
Depois de 3 contrações fazendo força, não acreditava que o Caio não estava nascendo ainda, então coloquei a mão entre as pernas, e acreditei menos ainda que estava sentindo meu filho coroar, no final das contas, eu fui a primeira a tocar no meu pequeno.
Chamei a enfermeira que confirmou o que eu já sabia: o Caio estava NASCENDO! Ela me pediu para tentar não fazer força, para que assim eu fosse levada para a sala de parto, então na contração que veio a seguir, me segurei, resperei fundo, me lembrei dos filmes onde as mulheres faziam a tal respiração cachorrinho e fiz igual, me ajudou a conseguir não fazer força. Em 5 minutos (que parecerão 30) estava na sala de parto, não amarram minhas pernas, não me jogaram de uma maca para a outra, não gritaram comigo, ao contrário, o enfermeiro que estava me ajudando, foi simpático e atencioso o tempo todo, a obstetra que fez o parto, Drª Elaine me ajudou e incentivou.
E na hora de fazer força, quando ela falou: pronto pode fazer força que ele já vai nascer. Eu não tinha mais forças, falei que não iria conseguir, ela me respondeu que sim, eu conseguiria sim, pediu para segurar nas laterais da cama e levantar o tronco, pronto foi isso. Assim, simples e fácil, o Caio nasceu, de um só vez, nasceu e eu senti ele nascendo, nasceu mas eu não o ouvi chorar, e logo em seguida o enfermeiro colocou ele ao meu lado, para que eu o visse e desse um cheirinho, e foi nesse momento que nós dois choramos, eu pela alegria e emoção de ter conseguido, de ter parido, de enfim conhecer minha cria, e ele por estar ao lado daquela que o carregou durante nove meses, que conversou, cantou, sonhou com ele todas as noites…
E naquele momento, no dia 02 de Janeiro, as exatas 20:20hs de uma quinta-feira cheia de calor o mundo só girava ao nosso redor e o universo tinha conspirado a nosso favor! Nós enfim tínhamos nos conhecido e estávamos completamente apaixonados um pelo outro!
Hoje não me arrependo de nada, talvez só de não ter exigido a presença de um acompanhante ao meu lado para viver esse momento tão lindo que é o nascimento, e não, este acompanhante não seria o meu marido, ele não queria, e eu não o julgo por isso, ninguém deve ser obrigada a fazer algo que não queira, tudo bem ele não querer estar lá, só de saber que ele estava lá ao lado de fora, rezando e torcendo por nós, já me deixava tranquila.
Sim, hoje depois de muitas considerações eu teria um outro parto normal, não vou mentir, em alguns momentos senti tanta dor que achei que fosse morrer, mas hoje, depois de tudo, a única coisa que me lembro é da emoção, da vibração, de todo o amor que correu em minhas veias após o nascimento do Caio. Já disse e repito aqui, minha cesária também foi excelente, minha recuperação pós parto foi melhor na cesária do que no parto normal, quando vi minha filha, foi tão emocionante quanto, mas não sei, quando olhava aquela menininha não conseguia acreditar que ela era que eu tinha carregado durante nove meses, que ela era a minha filha, passava a mãe pela barriga como se ela ainda estivesse ali, mas isso só aconteceu nas primeiras horas após o parto, depois tudo pareceu se encaixar. rs
Hoje posso dizer que passar pelas duas experiências me fez sim sonhar com médicos mais humanizados, não só obstetras, mas também pediatras, geriatras, clínicos, ortopedistas e todos os outros! Humanizados com a condição do ser humano naquele momento. Continuo acreditando que o corpo é da mulher, e que ela pode e deve sim optar pelo que acha ser melhor para si e para seu filho, claro, desde que esteja consciente de tudo que envolve suas escolhas.
Eu sonho com o dia em que todas as mulheres possam viver um parto humanizado, sem que isso precise de briga, de dinheiro, sonho com o dia em que vamos parar de julgar umas as outras e que sim, vamos respeitar as opiniões de todas sem precisar apontar dedo ou chamar de “menos mãe”, isso é preconceito, falta de informação e de humanização. De que adianta você lutar por um parto humanizado, por mulheres mais informadas se julga e condena o que a outra pessoa quer para si? Seja mais humana também, não precisamos só de médicos mais humanos e sim de pessoas mais humanas.
Beijos

Author: Débora Nunes

idealizadora do amaecoruja.com, 31 anos, mãe da Clara, do Caio, e da Olívia! Entusiasta da maternidade real acredita que toda mãe deve se dedicar aos seus filhos sem deixar seus demais papéis (mulher, profissional, esposa, amiga, filha…) de lado.

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